14.10.09

post mortem

hoje vem à tona um tema mórbido.
eu não sou lá muito medricas, mas ontem custou-me muito a adormecer porque, momentos antes, tinha lido um artigo que, no geral, tem tudo de macabro.
enveredando um pouco pela cultura geral, passo a explicar o porquê da minha insónia: na era vitoria (finais do séc. XIX), entre as famílias mais abastadas, tornou-se um hábito tirar-se fotografias dos cadáveres. seria que por sadismo ou magias ocultas? nada disso. naquela época, a fotografia era uma tecnologia relativamente recente, de maneira que era muito mais prático tirar-se uma fotografia do que contratar-se um pintor minimamente competente para retratar aqueles a quem nós bem queremos.
conjugando a descoberta das maravilhas da fotografia com a elevada taxa de mortalidade infantil que se fazia sentir, os papás e as mamãs desgostosos poderiam capturar uma primeira e última imagem do seu pobre rebento, antes de todo o processo fúnebre.
isto continua a soar estranho? sim, se pensarmos que hoje em dia haverá uma maior dose de preconceitos relativamente a um corpo inanimado, não só pela pouca higiene que acarreta mantê-lo em casa como se de um vivo se tratasse, como também devido a toda aquela relação espiritual que se estabelece com o momento da morte.
na altura, a taxa de mortalidade não era elevada apenas na infância. assim sendo, acabava por ser uma questão com a qual se lidava com alguma leviandade. isto é já um pouco deduzido por mim, mas se era comum que morressem muitas crianças, uma mãe não estaria com tantas expectativas. para além disso, as imagens acabam por falar por si já que, nos dias de hoje, fotografar (ou até mesmo ver) gente morta será coisa que só os mentalmente perturbados apreciarão.
ainda que possa manifestar um toque sarcástico neste post, este assunto realmente incomodou-me, e peço aos leitores que, se não se interessarem propriamente por este tipo de questões, não confiram as imagens. muito menos à noite! eu juro que me custou a adormecer. para ilustrar a minha agonia (e para satisfazer os mais curiosos), reuni algumas das fotografias mais bizarras que encontrei numa breve pesquisa virtual.

parece que, sem querer, o rapaz fechou os olhos no momento do disparo. na verdade, ele está morto, sustentado por armações de madeira (muito provavelmente). a menina é a irmã dele que, como se vê pela expressão, está viva. esta dá-me arrepios. pela cara dela, não é uma sensação lá muito agradável.

não, o senhor não está a dormir. esta posição é pouco natural, muito menos para um post mortem.
esta ainda é mais arrepiante, já que a criança está de olhos abertos. nem quero imaginar como terá sido pô-la ali, com aqueles olhos a fitar o nada.

este casal tira uma última fotografia com a sua falecida filha adolescente. muitas vezes estas fotografias eram tiradas de forma a que desse a impressão do cadáver estar vivo, e o corpo da rapariga é sustentado pelos pais. urgh...

11 comentários:

Nuno Medon disse...

olá! É um tema interessante. Eu já vi muitos mortos, já os beijei em antes de serem enterrados, já ajudei a pegar em muitos caixões, principalmente dos meus falecidos avós. Espero que hoje durmas melhor! essa fotografia, de se tirar uma foto com o morto, não é muito usual por Portugal...quase que a foto da criança morta faz lembrar o filme " fim de semana com o morto " !!! beijos e uma boa semana!

Rita disse...

Bem mórbido sim. Não sou facilmente impressionável com coisas do género mas deixa-me dizer-te que no 10º ano a minha professora de história me falou duma história parecida que na altura me arrepiou. Só me faz mais confusão ainda pensar em como é que ainda ninguém se lembrou de o fazer hoje em dia, visto que há mais recursos e tudo. Mas deixai-os quietos, credo

quem? disse...

exactamente por isso, Rita. há mais recursos, logo as pessoas já têm 1500 fotografias mesmo que morram com um dia de vida.
para além disso, o tema morte vai assumindo uma posição cada vez mais... não é bem tabu, mas qualquer coisa do género. por isso é que achamos isto macabro. ainda há aldeias daquelas antigas onde são os familiares que tratam os corpos dos mortos, e fazem-no com muito amor e sem qualquer sensação de horror porque, no fundo, é algo natural. se é natural viver, mais natural ainda será morrer

Rita disse...

não para ires comentar, mas se achaste piada ao meu último texto "romãntico", tá lá um novo. Só para se não tiveres mais nada para fazer hoje

Anónimo disse...

Imagina só Michael Jackson assim!

Rani disse...

Michael Jackson cairia até a baba loooooooool

Marta disse...

Não serias mais criativo por em prática?

Tiago M disse...

no méxico é que os mortos bombam...
quanto ao michael jackson... bem que podiam tirar fotos ao homem, morto, ou vivo, deve ter um cor smpre igual... é homogeneo

Anónimo disse...

e os que morrem para este fim?

Ruth disse...

"e os que morrem para este fim?"

Será que existe essa chance?acredito q no.

Anónimo disse...

Muito interessante, o assunto chocou-me. Já tinha visto esse tipo de fotografia no filme "Os outros", mas na net pude saber como fazem para sustentar os corpos em pé. Usavam suportes de madeira. Acho isso arrepiante...
Apreciei a quantidade e variedade de fotos que colocou no blog.