27.1.10

isto não é genial?

pois claro que é.
uma versão inteligente e divertida da música do meu querido Chico Buarque, você vai me seguir.

25.1.10

kiss with a fist

é verdade, é entre tu e eu. tu. eu. escrevinho demasiados talões de multibanco para desperdiçar esse vasto palavreado aqui.

23.1.10

algodão doce

ela comia algodão doce assim que acordava, e acreditava que esse ritual lhe afastava todas as coisas más do mundo. levantava-se com o sol, preparava o algodão doce com o açúcar que tinha sobrado do dia anterior, estendia uma toalha de renda sobre o chão e ajoelhava-se na pequena almofada azul. lentamente, no silêncio da manhã fria, comia. deixava que o algodão se desfizesse na boca e se espalhasse pela sua língua. já tinha havido vezes em que quase desistiu, enojada com algo tão doce logo de manhã, mas a disciplina habituou-a.
e, assim, convencia-se sempre de que estava imune a qualquer questão problemática que pudesse surgir ao longo do dia. tão convicta estava, que todos reparavam que a sorte estava do seu lado. era feliz, sozinha na sua casa rodeada de flores e árvores. não havia preocupações. ela era boa para todos e todos eram bondosos para com ela, apesar de não terem permissão para se aproximarem mais do que o estabelecido. ninguém lhe conhecia os segredos mais profundos, nem mesmo o pequeno-almoço.
até que um dia esqueceu-se de reparar que o açúcar estava em falta, e não comprou mais. notou apenas quando acordou. voltou a deitar-se, enroscou-se nos lençóis da cama, apertou-os com força e chorou o oceano atlântico. ficou desidratada e enfraquecida, e assim deixou-se ficar.
nunca mais ninguém ouviu falar dela.

21.1.10

resultados da sondagem

esta sondagem foi interessante. folgo em saber que 50% dos meus leitores são mentirosos ou fazem por levar uma vida saudável, andando a pé habitualmente. todos sabemos que, para além de fazer bem às pernas, às costas, à circulação e aos distúrbios psíquicos, é ecológico. os meus parabéns.

posso dizer o mesmo dos 38% que admitiram andar frequentemente de metro, que também não emite gases poluidores para o ar que respiramos. e também é positivo enaltecermos um bocadinho os autocarros, que são o terceiro transporte mais usado pelas visitas que aqui deram o seu parecer (33%). dá-me a sensação que a publicidade aos transportes públicos que têm vindo a ganhar destaque estão a dar resultado.
os 28% que clicaram na opção "carro" serão identificados pelos nerds ds polícia rodoviária. não prometo que algo de bom daí surja. táxi (6%) e mota (6%) não revelam valores preocupantes, mas devo salientar o facto de três pessoas (5%) terem admitido que andam de bicicleta! até mereciam um aplauso. eu só não ando de bicicleta porque tenho medo de não chegar ao meu destino viva. mas isso sou eu. continuem.
concluindo os resultados do inquérito, sinto que tenho de avisar os meus leitores de que é preciso apostar nos transportes ou nas próprias pernas. gastam menos dinheiro e são mais fixes. acho eu.
wooooooooooooow 60 votos! isto está cada vez melhor! vamo lá, pessoal! é não desistir!

19.1.10

tell me about love

já houve quem dissesse que uma música ou outra de vez em quando neste blog não ficava nada mal. hoje reparei que já há uns tempos não dou um pouco de banda sonora aos meus textos, por isso até calha bem! depois da música, segue-se um diálogo fictício e um tanto ou quanto anormal que apareceu na minha cabeça. e as personagens vieram com estes nomes, nem sei bem porquê.



xana: olá meu amor!
carlos: nunca mais me trazes a este restaurante de merda.
xana: ai os teus modos, carlitos!
carlos: desculpa! olha que às vezes devias poder ver-me todo por dentro, para me perceberes melhor do que eu.
xana: não faz mal, estamos juntos para isso mesmo.
carlos: para tu me perceberes?
xana: e tu a mim.
carlos: então e o sentimento?
xana: quando chegar o tempo de nos amarmos já vamos estar mais do que mortos.
carlos: então amemo-nos apenas!
xana: não dá tempo, tenho de me ir embora. adeus.

11.1.10

loucura comedida

"ela disse: olá
e ele respondeu: não gosto de chocolate
ela sentiu um espasmo horrível no peito."

meu amado chocolate...

8.1.10

dicas sobre quem?

sei balbuciar bastante, característica que noto com mais frequência nas diversas relações interpessoais que inicio.

também sou portadora de uma rara anomalia que é respirar com frequência a comida quando não me sinto à vontade no meio em que me encontro. normalmente são grãos de arroz que me provocam lágrimas nos olhos e tosse, pode até ser sumo ou um pedaço de hamburguer.
pelos vistos, pareço o zé de vestido, quando danço em estado de euforia. ou um macaco. ou ambos.
às vezes rio-me tempo demais para o que seria de esperar e por isso é que os meus amigos pensam duas vezes antes de me convidarem para almoçar.
também gosto de ser anti-coisas, mas sou-o mais em grupo. tirar fotografias dentro de um cubiculo designado para esse efeito com uma máquina fotográfica, passar meia hora numa loja de renome escolhendo os piores conjuntos de toilette, dirigir-me à porta de saída da papelaria o mais lentamete possível, com o intuito de ser a última a chegar à meta (e, quem sabe, ganhar um prémio por isso), pedir sempre a time out no dia antes de ela sair, ir em hora de ponta dançar para o pé dos altifalantes das lojas, subir as escadas rolantes que servem para descer, entrar no metro e sentar-me no chão e ir a uma loja de tatuagens para acompanhar a amiga que, não querendo uma tatuagem, vai pedir o panfleto e o preçário, andar à chuva e coisas dessas, como escrever um texto sem qualquer tipo de fio condutor.
bom fim-de-semana.

7.1.10

4.1.10

os nossos reflexos são protecções

feliz 2010 a toda a gente!

hoje soube-me bem, o dia de hoje soube-me bem, o hoje soube-me bem, enfim, porque foi hoje e saboreei-o.
choveu.
deus, choveu a cântaros e, mal chegámos à saída do edifício, uma avalanche de gente entrou por ele adentro, com uma unânime expressão de horror.
ficámos sem reacção, continuámos de braço dado, separadas do lá fora por uma invisível linha. por momentos, deixámo-nos ficar a ouvir o mp3. amamos aquela música, kel som. olhámos uma para a outra.
- vamos?
- vamos.
- ainda não apanhei chuva este ano... e esta está mesmo convidativa. - lamentei, sorridente.
acordámos de repente e, sem pensarmos duas vezes, corremos para a rua - yey, estava vazia! "when you're ready, come into the light" e os nossos copos eram batedeiras de milkshake, os nossos pés deslizavam aos zigue-zagues e os nossos braços balançavam-se livremente no ar. abri bem os olhos para poder observar os milhares de gotinhas que caíam à minha volta. saltitámos e rodopiámos, enquanto avançávamos lentamente. não havia tempo para sentir frio e a chuva parecia um vapor denso que descia pelo ar para borrifar as nossas cabeças, para nos alegrar mais.
foi uma lufada de ar fresco.
e depois o alex comprou um megafone.

feliz 2010 a toda a gente.