15.4.09

questões que a todos importam

hoje tirei uns minutos do meu dia (bom, no total devem ter sido umas horas) para reflectir sobre um assunto que nos toca a todos e a mim, principalmente, porque me atormenta. não há-de ser um tema importante, principalmente porque pouco dele se fala e ninguém quer perder tempo com estas mariquices. ou penso nisto porque não tenho mais nada que fazer - o que não me parece que seja o caso - ou simplesmente sou estranha e às vezes dá-me para isto.

ia tranquilamente de manhã para a escola, como todos os dias, a indagar-me se chegaria atrasada à primeira aula ou se, acelerando o passo, ganharia alguns minutos extra.
o tempo tem estado chuvoso, coisa que é incómoda quando se anda pela rua, mas é por isso que uso casaco com capuz. de qualquer das maneiras, os dias de sol são mais agradáveis e, não querendo fugir do assunto, deixo aqui o meu lamento. gosto de chuva, mas só se estiver calor. a junção de diversos factores como estar frio, ser de manhã e ter de ir para as aulas não favorecem a minha boa disposição matinal.
assim sendo, estava a pensar em não-sei-o-quê e, eis senão quando, escorrego e deslizo durante uns segundos com o pé, a abanar os braços para manter o equilíbrio. não caí por sorte. além disso, a minha perna esticou-se tanto que deu-me a sensação de quase partir o joelho.
a minha primeira reacção seria olhar para trás, não fosse eu pensar duas vezes. "deixa estar", pensei "já fizeste figura de tonta, mais vale fingires que não notaste". a parte boa é que não havia ninguém por perto e nem isso foi desculpa para conter um riso abafado. se caísse ninguém via, e eu podia ter uma diversãozinha antes de ir para o aborrecimento que são as aulas. não demorou muito para que lamentasse o desígnio que Deus tem para mim.

já me aconteceu pior. uma vez, na grande escadaria que é precedida pelo comboio que pára em carcavelos, tive o belo azar de escorregar no primeiro degrau e ir em carreirinha de rabo até ao último degrau. doeu. fiquei cheia de nódoas negras. no entanto foi patético, e ri-me às gargalhadas. a multidão abriu alas, o que só por si já foi humilhante, mas a minha figura foi digna de uns minutos de felicidade para mim e, mais concretamente, para os espectadores que me rodeavam.
hoje à tarde, uma senhora caiu nuns degraus. caiu duma forma parva, em slow motion. fiz um esforço imenso para não me rir. era velhota, coitadinha, e fiquei com medo que se magoasse, eu não sou o diabo! mas, caraças, uma queda é uma queda! a menos que a pessoa em questão rache o crânio, eu tenho vontade de rir, até porque é constrangedor para todos. (a velhinha ficou bem)
as quedas ao acaso não são culpa de ninguém e podem acontecer quando menos se espera. as quedas não são mais do que uma desconexão entre o nosso corpo e o mundo físico que nos rodeia, são um momento de fragilidade perante as pessoas sisudas da rua, que não podemos antever. cair não serve para nada, portanto tiremos algum proveito disso! se for um teste à nossa determinação, que caiamos e nos levantemos as vezes que forem precisas!
se se conseguirem levantar e não sofrerem sequelas, não se esqueçam de rir. cair é chato mas rir faz bem, então zelemos pela nossa saúde!

8 comentários:

DiogoAires disse...

Gosto do (a velhinha ficou bem) em letras pequeninas. xD

Tu és um génio a escrever Catarina. Quem me dera ter essa capacidade de escrever assim meu amor.

"as quedas não são mais do que uma desconexão entre o nosso corpo e o mundo físico que nos rodeia"

Não podia estar mais de acordo, embora nunca o tivesse visto dessa perspectiva. Tu sabes que eu amo estas coisas, e tenho sempre uma perspectiva diferente de tudo. E tu também o tens. E isso é uma das coisas que me encanta em ti. Especialmente porque essas perspectivas diferem das minhas.

Quanto as quedas não servirem para nada, não estou de acordo.
Claro como disseste servem para dar umas gargalhadas, mas isso é muito pouco.

Sim, são um teste à nossa determinação. A capacidade de nos levantarmos é algo quase inato. Desde pequenos que caimos e nos levantamos. É como andar de bicicleta. Nunca se esquece.

Há vários tipos de quedas, e umas atingem-nos com mais força que outras. E cabe-nos a nós arranjar a força para nos levantarmos. É através das nossas quedas que aprendemos. São elas que nos tornam mais fortes. São elas que nos tornam quem somos.

Quanto mais fundo cair melhor. Mais vontade me vai dar de levantar. Por muito que custe, há sempre um caminho de volta.

As quedas são das coisas mais importantes da nossa vida.

Mas essa é capaz de ser só a minha perspectiva.

Amo-te muito meu amor! @

mana disse...

loool ya isto é verdade. eu n costumo cair mt mas gosto de te ver a cair (muahahah) tb podias ter referido aqela queda na alameda, até me doeram os maxilares! haha dsc n ser tao breve cmo o diogo lol adios

Doggie disse...

Uma vez caí nas escadas de um autocarro de dois andares em andamento. Ia-me matando.

quem? disse...

voto no doggie para o melhor comentario de sempre x)

Nervermind disse...

Mandei um tralho brutal ao sair do Holmes Place outro dia, porque vi uma manifestação na rua do CGTP, ou uma coisa assim parecida lá ao lado, e pensei, tenho de escrever sobre isto no blog, mas nao sabia se era Avenida Defensores de Chaves ou Avenida dos Defensores de Chaves. Pensei, bom, nao tenho nada a perder, e comecei a ver se via a plaquinha com o nome da rua, então, por tar a olhar po ar, mandei uma biqueirada num daqueles cilindros de cimento que põem no chão para os carros nao estacionarem e esmerdei-me todo no chao. Doeu.

quem? disse...

looool acho que o doggie perdeu o primeiro lugar x)

Anabela disse...

É inevitavel não rir quando se observa alguém cair, é um extase de adernalina preso à seriedade de existir a possibilidade de a pessoa se magoar...pode ser interesante perceber o que despoleta o riso quando se vê "alguem a cair". O limiar entre o mundo exterior, o cerebro e o riso em si.

Existem dois tipos de riso:
I. Rir de....
II. Rir com...



Não sei se conheces o seguinte livro que fala sobre o riso:

O Riso, Henri Bergson, Ed. Martins Fontes (e noutra editora que não me recordo)

Bons sorrisos ;)

Lobo Mau disse...

Bolas, eu estou sempre a cair e nao me importo que riam por causa disso. Quer dizer agora ja nao caio tanto, mas no inverno passava a vida a fazer isso. O problema e que os meus sapatos ja estao bueda velhos, e nao encontro outros que sejam fixes tambem. Mas referindo-me às quedas, a calçada portuguesa molhadfa e bue escorregadia, por isso, com a chuva passei o inverno todo a deslizar.
O pior foi quando cai no tapete rolante da Alameda, aquele que dirige as pessoas para a linha vermelha, vi um gajo a deslizar todo maluco a minha frente, entao como estava feliz tentei tambem, a primeira foi na boa, mas depois senti me a escorregar e so tive tempo de me agarrar as coisas ao lado, entao PUM cai de rabo no chao desse tapete rolante. Depois chateado meti as maos na cabeça, e esperei uns segundos, porque ate nao estava mal la sentado. E pronto, concluindo, as quedas ate podem ser divertidas, se ninguem se magoar com isso, mas deve-se ter cuidado com elas!!! lol