22.10.08

sono

fico invadida pela inspiração, à medida que devoro as páginas do livro que estou a ler, as descrições fazem com que emoções me afluam à flor da pele, rigorosas e abruptas. todas as minhas acções, involuntariamente, passam por um filtro na minha mente, onde são cuidadosamente descritas. é o meu escape. não sei se sou a única.

vou de manhã pelo caminho apressado até ao metro, onde sinto necessidade de contemplar tudo o que vejo. no entanto, não desperta. todas as manhãs, um frio de rachar, o sol ainda não marca presença e a cidade ainda está a acordar, lá vou eu, enfiada no meu livro mental, afundada na solidão dos meus pensamentos. mesmo assim, ainda há espaço na minha cabeça para se fazerem ouvir os meus passos, pesados como marteladas, desengonçados, sem ritmo, cortando o silêncio matinal.

atiro sobre a mesa todas as cartas com que jogo, e tudo o que faço já é automático. sigo apressada, penetro a confusão urbana; carros, pessoas, buzinas. de repente, estou na escola e as cartas recolhem-se.

começa mais um dia

3 comentários:

Dyann disse...

És grande, a grande pequena que por aí vagueia sabendo o que nos outros lhes é estranho, ouvindo o que não te dizem. Se tu deixares de saber as coisas antes que os outros te as contém deixarás de ser magia, fluente e cega que já o és. E a tua companhia, onde anda ? Espero que a consigas ver, para lá da inocente e paixonante cegueira que te é característica.

És para lá de única, e para cá de muita.




Dyan

O Guitarrista que não se deveria sentir intimidado disse...

Grande texto, consegues fazer passar de forma exemplar todos os sentimentos que te rodeiam no momento descrito e além disso transformá-los num texto fluente e interessante. Se havia alguma dúvida que escrevias muito bem (eles ainda não viram as letras xD) já demonstraste que essas dúvidas não têm sentido. Continua com o bom trabalho!

Doggie

jone disse...

Parabéns, achei super interessante...muito bem escrito.

Do psicotico...hehe(um sorriso meio ofendido)

beijo