29.3.12

sussurrando

aula.
- adorava conhecer o pedro quando ele era pequeno.
- porquê?
- porque ele devia ser malandreco. ó pra ele todo corado porque sabe que estamos a falar dele.
- shbabhshbahsbhbshshshb.
- desculpa mas não disseste nada.
- ah, pensei que tinha dito.

29.03

é como se me tivessem dado uma caneta e um papel, escreve, e eu afinal acho que já escrevi tudo o que tinha para escrever, já disse tudo o que tinha para dizer, já fiz muita coisa e se calhar é assim mesmo que tem de ser.

17.3.12

só podem estar a gozar comigo

não gosto de revistas de moda. não lhes ligo nenhuma porque não me interessam para nada. não me são indiferentes - não gosto delas, espalham maldade. lê-se três páginas e, para além de se odiar tudo e mais alguma coisa do mundo dito real, quer-se gastar dinheiro em coisas que não importavam mas que, agora, são imprescindíveis. por amor de deus.
as revistas de moda irritam-me mesmo, quanto mais não seja pelas páginas de histórias sórdidas e as fotografias de modelo a ocupar espaço só porque sim, quanto mais não seja pela excitação da mulher solteira e na casa dos trinta ao ler testemunhos ardentes e promíscuos de mulheres que traíram os maridos e sentem-se fantásticas, ou pelos artigos que mandam emagrecer, ter uma pele brilhante e lisa e um cabelo fantástico.
não me interpretem mal - acho que uma mulher deve cuidar de si e, se tiver gosto nisso, tanto melhor. mas quando abro uma revista destas parece-me que, afinal de contas, isso já não é propriamente uma escolha.
nestes últimos três dias vieram parar-me às mãos duas revistas deste género e não sei bem porquê - a primeira, veio com uma encomenda de livros que fiz e a segunda foi um brinde de uma coisa qualquer que a minha mãe comprou. para não chutar a revista para um canto, pus-me a folheá-la, e vi aquelas modelos idiotas em posições deficientes. uma tinha uma bela saia cheia de flores e eu pensei "porque não?", e concluí que se calhar sou demasiado radical, se calhar até dá jeito encontrar aqui roupas giras, vamos lá ver o preço da saia, onde é que será que encontro à venda?, e, de repente, €1.235 - mil duzentos e trinta e cinco euros.
sim, eu já sabia de antemão que havia roupa cara neste mundo e que algumas lojas que aparecem nestas revistas são do mais alto gabarito. até me pus a fazer contas de cabeça, quiçá não terá sido toda produzida à mão, com materiais raros, até que caio em mim. só podem estar a gozar comigo! da forma que está o país, como é que é admissível que publiquem coisas destas? eu não consigo perceber, juro que não. imaginei as mulheres todas por Portugal fora - e é certo que isto também se passa noutros países - obcecadas com este tipo de conteúdos a simplesmente encolherem os ombros enquanto viram a página e tentam lembrar-se se ainda têm dinheiro suficiente para a alimentação do mês.
por isso é que estas revistas andam a aparecer-me aos molhos, quem é que quer gastar dinheiro nisto? só se for aquela pequena percentagem que ainda resiste, que passa fome para poder comprar, mais umas quantas que têm realmente dinheiro para gastar em saias de mil euros.
o que é que se passa com os humanos?

16.3.12

mau humor

não sei porquê mas tenho jeito para isto, fizeram-me assim e pronto. é deixarem-me estar em paz que da minha boca só vão sair grunhidos, se me deixarem estar descansada o mundo continua rodando na sua habitual harmonia. obrigada

24.2.12

letras

«Finalmente estou só, envolvido pelo grande silêncio da terra. E este silêncio, tão profundo que nele se perdem o canto dos pássaros e o silvo do vento, liberta a minha alma. Quando nele mergulho, o deus fala-me, por vezes.
Nem sempre foi assim. Os deuses falam aos homens com vozes diferentes, conforme eles são capazes de entender. Os jovens ouvem essas vozes no estrépito das batalhas ou no acto do amor, os velhos aprendem a escutar de outra maneira.»

João Aguiar, A Voz dos Deuses

15.2.12

hoje de manhã ouvi isto e foi muito bom

on valentines day

sim, provavelmente é só mais um dia transformado em máquina de fazer dinheiro.
sim, o dia de são valentim deve ser quando um homem quiser.

mas a história do são valentim é bonita: era um bispo que, quando cláudio II decidiu proibir o casamento de forma a aumentar o número de jovens alistados no exército, continuou a realizar casamentos em segredo. por isso, foi decapitado no dia 14 de fevereiro.

so, let there be love.
e se este dia é mais um pretexto para se trocarem mimos, porque não? gosto deste dia como gosto do natal - não é preciso gastar dinheiro se se quer mostrar que se gosta. mostra-se isso todos os dias, e ontem não deveria ser excepção.

26.1.12

como me sinto

quando vêm falar comigo no facebook só para me pedirem que vote em não sei quê
(ultimamente tem acontecido demasiadas vezes)

What do you want of me? Tell me anything. But do what I beg you to do.

We've known each other many years, but this is the first time you came to me for counsel,
for help. I can't remember the last time that you invited me to your house for a cup of
coffee, even though my wife is godmother to your only child. But let's be frank here: you
never wanted my friendship. And uh, you were afraid to be in my debt. 



FUCK YOU BONASERA


25.1.12

"duas da manhã, mas a loja 'tá aberta, como sempre"

o que é que se passa entre mim e o álcool? dou-me ao luxo de passar muito tempo a pensar nesta questão. álcool. que palavrinha tão estúpida, com acento no A e dois Os. se tirarmos as vogais, quase que se ouvem os goles ou golos, que eu nunca soube como é que hei de escrever. LCL LCL LCL, faz as delícias da pequenada, mas para quê? in vino veritas? cadê o bom senso das pessoas para serem mais transparentes e deixarem-se fazer figuras idiotas sóbrias?
mas o meu problema não é propriamente esse. festas, alegria, parvoíce, álcool e música, abraços e beijos. tenho saudades, até. bebo dois copos e sinto logo a cabeça a aquecer, dá-me um soninho chato e fico sem inspiração para mais, só me lembro de notar que tenho frio, tenho fome, tenho sono e não me apetece falar. sabe bem a bejeca, vou beber outra e penso duas vezes, não me apetece mais, queria era estar na minha caminha a ler um livro.
são fases, deduzo. vai ser assim para sempre? oito e oitenta, não há aqui moderação? é nesta altura que me começo a assustar com as coisas que penso e questiono, pego numa cervejinha e sinto que estou a abraçar calorosamente o meu pior inimigo, que tonta, que fraquinha, que abestalhada, como diria o outro se ainda por aqui andasse...

pois é

"fica o dito e redito
por não dito
e é difícil dizer que foi bonito
é inútil cantar"

Chico Buarque

23.1.12

o tampo da sanita

uma coisa que sempre me intrigou, e não sei bem porquê, é a questão do tampo da sanita entre o homem e a mulher. não me lembro de alguma vez ter havido esse problema cá em casa, se calhar houve antes de eu nascer ou nunca cheguei a dar por isso, mas comecei a dar-me conta de que é um assunto sério na vida conjugal. deduzi-o, provavelmente, a partir de séries de comédia e de revistas cor-de-rosa e nunca percebi porque é que é a mulher a eterna injustiçada e o homem o derradeiro vilão da casa-de-banho. porque não o contrário?
a mulher queixa-se que o homem é rude e deixa o tampo para cima e é preciso muita força de vontade para que ele, finalmente, resista à preguiça de deixar a sanita tal como está. assim, quando a mulher vai dar resposta às suas necessidades básicas, tem em consideração a nobre atitude do seu companheiro e a relação anda sobre rodas. dá-me pena, uma vez que ele também poderia reclamar, com a mesma legitimidade, que ela poderia ter o cuidado de colocar o tampo de volta aonde ele o tinha deixado.
pus-me a fazer contas: a mulher usa o tampo para baixo 100% das vezes que vai à casa-de-banho; façamos uma estimativa para o homem, direi que o põe para cima 75% das vezes, o que significa que em 87,5% das utilizações totais o tampo deve estar colocado para baixo. estes números fazem-me apoiar as mulheres nesta interminável guerra, independentemente do facto de eu ser uma delas. no entanto, nunca fui de me chatear com isso, simplesmente porque acho que é justo que qualquer um dos elementos do casal prepare previamente a zona a ser afectada da forma que mais lhe agradar.

até ontem.

agora já percebo, por experiência própria, o verdadeiro porquê de toda esta discussão - e não podia deixar de partilhar com os meus leitores porque, quem sabe, muitos deles terão a mesma inquietação.
acordei e fui num instantinho aliviar a bexiga antes de me resolver a ir tomar o pequeno almoço. estava ainda ensonada e tinha alguma fome, portanto toda a acção decorreu de forma automática e, eis senão quando, desequilibro-me no derradeiro momento em que deveria estar comodamente sentada - porque o tampo não estava ali e, nestas ocasiões, 4 ou 5 centímetros fazem toda a diferença - e caio na sanita. desatei a praguejar contra o maldito que permitiu que aquilo acontecesse, acendeu-se uma luzinha na minha cabeça, como quem grita eureka, e pensei: tenho de escrever sobre isto no meu blogue.
agora, não sei qual das duas opções me parece mais conveniente: ou começo uma revolta a favor da minha integridade, ou tento ser mais atenta daqui em diante. acho que prefiro ir pela primeira.