6.7.10

manequins

nós achámo-los loucos, todos nus e usados, todos putas reles, a afogarem-se no próprio sexo.
a nós, acharam-nos mais loucas ainda por fotografarmos inúteis pedaços de corpos a fingir caídos numa loja falida.

la vie en rose

neste momento, parece-me demasiado estranho o facto do tempo passar. por mim, seria para sempre madrugada do dia 6 de julho em que faz um calor dos diabos até com o ar-condicionado ligado e eu cheiro a lavanda.
deambulo pelo quarto que nem um morto-vivo. sinto-me num preâmbulo de vida, não tenho sono nem fome, mas mesmo assim petisco umas bolachas e dormito um bocadinho.
este calor é tão intenso que nos chega ao coração. está tudo muito mais acomodado e leve, deve ser do sol e dos seus super-poderes, deve ser do calor que obriga as mocitas a andarem com menos roupa possível e dá-lhes boa cor.
tenho investido nos filmes e livros românticos; não costumam ser bem o meu género, mas decidi tentar envolver-me neste ambiente de "até os nerds encontram algures a sua musa" ou "um casal que se ame loucamente estará para sempre amaldiçoado". na verdade, não me têm ajudado os filmes nem os livros, não me tenho sentido inspirada. acabei de ver o notting hill porque me sentia idiota a viver num mundo em que toda a gente já viu o notting hill. agora sinto-me ainda mais idiota porque detestei, talvez me fosse melhor ficar na simples incógnita, foram duas horas do meu tempo mal gastas.
ou talvez simplesmente não tenha muito jeito para isto - ver gente que nem existe e perceber como é que todo o conceito de amor se desenvolveu  nas suas vidas. eu, cá para mim, ficava-me para sempre nesta bela madrugada de verão, para poder passear por aí à vontade sem nenhuma preocupação, e para deixar o quente do ar entrar-me nos pulmões.

20.6.10

wizard of oz


eu: são tão bonitos os sapatos da dorothy, não são?
b: xim.
eu: quem me dera ter uns... dás-me?
b: eu não tenho... e xão calos!


(conversando com o meu amor de três anos.)

the world keeps turning

eu sei que o fim de uma coisa é sempre o princípio de outra.
 finalistas de secundário. em breve, caloiras de faculdade.
esta eu sei que é para a vida.
merci.

19.6.10

saramago

hoje faleceu José Saramago. bem, teoricamente foi ontem.

não tenho propriamente jeito para estas coisas. acho que estes momentos servem para "celebrar a vida". mas, se o fizermos, lamentamos também a morte.

a morte é uma coisa estranha.

enfim, queria apenas manifestar os meus pêsames, felizmente deixou cá uma bela bibliografia que eu recentemente comecei a conhecer. ensaio sobre a cegueira é, sem dúvida, um dos meus livros preferidos. e por belos serões passados a lê-lo, agradeço ao senhor Saramago.

may his soul rest in peace

16.6.10

i ♥ blogs

eu gosto de ler blogs.

talvez leve demasiado a peito este momento que vou tendo de vez em quando mas, às vezes, há blogs que me deixam feliz. gosto de saber que há, algures por este país, pessoas que pensam e sentem como eu, pessoas que gostam de escrever e de ler o que eu gosto, pessoas que são diferentes de mim e não passam de uma mera imagem virtual na minha cabeça.
mas elas existem, não estou a ficar louca. elas existem e adoro inventar-lhes corpos e caras, vidas e amizades.
gostava de poder encontrá-las a todas, um dia; uma espécie de reunião de donos de blogs.
talvez venha a acontecer, se até no youtube fazem isso.

caros donos de blogs,
continuem a escrever.
continuem a trocar impressões.
continuem a dar alguma cor à internet.

cumprimentos de quem?

15.6.10

amanhã exame de português

amanhã há exame de português.
amanhã há exame de PORTUGUÊS.
amanhã há exame de português.


amanhã há exame de português.
amanhã há exame de PORTUGUÊS!
 
relaxar, relaxar, relaxar, trabalhar, trabalhar, trabalhar.
 
 
 
 
 
 
apetecia-me tanto um festival.

13.6.10

- não é culpa tua. se, para ti, o mundo sempe girou como devia, não precisaste de deixar crescer calos nos dedos para não voltares a sentir as chamas que te queimam a pele.
- o meu problema não é o orgulho, nada disso... é que eu sou um coração mole...
- isso não me devia enervar sequer, mas não és um coração mole. és só estúpida. mas espero que isso passe.
- és muito dura comigo, nem sequer te reconheço.
- tu só sofres se quiseres sofrer, só queimas os dedos porque, no fundo, te diverte.
- mas eu não me importo de sofrer assim... eu aguento.
- então não me chores ao ouvido que isso é demais para mim. tenho o que me baste na minha vida para me deprimir.
- temos todos.
- mas eu não pedi a ninguém estas lágrimas que me caem no colo. se tu choras, é porque queres chorar. e, para mim, isso é idiotice. só.
- não é idiotice. arrisco-me a sofrer porque ainda sinto.
- então és fraca.
- prefiro ser fraca do que andar sozinha como tu, que nunca hás-de gostar de ninguém, e nunca ninguém há-de gostar de ti porque nunca ninguém há-de te conhecer como eu te conheço.
- eu sei. por isso é que acho que o mundo já deu voltas suficientes, por isso é que já passa da minha hora de dormir.

12.6.10

hoje

"Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram.
Ou metade desse intervalo, porque também há vida...
Sou isso, enfim...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato."

Álvaro de Campos

11.6.10

alive!

confirmam-se as minhas suspeitas de que o optimus alive tem um dos melhores cartazes deste ano.
estou desejando que venha o dia!




"i, ohhh, i'm still alive!"
night time, sympathize, i've been working on white lies, so i'll tell the truth.

2.6.10

tiagos

a time out tem as frases ouvidas no metro, e algumas têm piada.
piada teve também uma conversa entre três miúdas que ouvi hoje à saída do metro. não é que eu seja intrometida, mas elas falavam tão alto e exactamente atrás de mim, que era impossível não ouvir. ri-me sozinha, elas nem sequer repararam. quantas vezes não terei eu feito o mesmo, nem sei se não deixei umas quantas mentes escandalizadas com a quantidade de conversas estranhas que já tive no metro.
foi basicamente assim:

"(...)
- mas o tiago... é tiago! - dizia uma, enervada.
- pois, é isso! - respondeu a segunda.
- o que é que tem? - perguntou a terceira.
- os tiagos são assim. - disse a primeira. - nunca tiveste um tiago?
- não - respondeu tristemente a terceira.
- sorte a tua! - disse a segunda.
- pois - disse a primeira - quem já teve sabe como é que é, né miga?
- é verdade - respondeu a segunda, convicta.
(...)"

pobres tiagos que existem no mundo. enfim, são tiagos, e serão para sempre amaldiçoados por estas três meninas. vou começar a prestar atenção, pode ser que a teoria delas faça sentido. posso ter sido muito ingénua e não ter reparado na verdadeira faceta dos tiagos.

unam-se, tiagos. mostrem ao mundo que elas não sabem do que falam!