4.4.09

parabéns Cazuza

lá no brasil, a maneira de cantar os parabéns é muito diferente. eles cantam "parabéns pra você" e é só até à parte "muitos anos de vida". depois cantam:

"Chegou a hora de apagar a velinha
Vamos cantar aquela musiquinha
Parabéns pra você
Parabéns pra você pelo seu aniversário
Que Deus lhe dê muita saúde e paz
E que os anjos digam amém
Parabéns pra você
Parabéns pra você pelo seu aniversário."
já chega? não!
depois vem a parte que era a minha preferida em pequenina:

"É pique! É pique! É pique, é pique, é pique!
É hora! É hora! É hora, é hora, é hora!
Rá-tim-bum!"

e depois grita-se o nome do aniversariante tantas vezes quantas se quiser. é, com certeza, uma forma muito mais divertida de se cantar os parabéns. e que importa isso agora? lembrei-me do meu grande ídolo, Cazuza, faria hoje 51 anos. entre as suas obras, posso destacar a música "um trem pras estrelas", "o tempo não pára", "preciso dizer que te amo" e "blues da piedade.. é claro que aconselho todas, e não é fácil escolher uma ou outra da lista imensa que ele tem. isto poderá não fazer diferença a ninguém, o Cazuza em Portugal não é propriamente conhecido, mas senti vontade de o lembrar.
parabéns, Cazuza.

3.4.09

trem das onze

porque a minha inspiração não dá para mais, e hoje estou depressivamente nostálgica...

"não posso ficar nem mais um minuto com você
Sinto muito amor, mas não pode ser"

"se eu perder esse trem que sai agora às onze horas, só amanhã de manhã..."

28.3.09

belleruche - northern girls

só a ouvia na rádio e entrava em êxtase. feita parva, nunca ouvia o nome do grupo nem da música, e continuava ignorante. andei três dias às voltas, a tentar lembrar-me da letra e a pesquisar pela internet. ah, que vitória quando a encontrei! - há alguns minutos.
esta música... não sei... acho que tem alguma angústia à mistura, mas é linda. hoje sinto-me assim, angustiada. vá-se lá saber porquê...

27.3.09

quem colhe tempestades...

c'um caraças! - penso, para comigo.
sabem quando o vosso organismo se vira contra vocês?
"comeste muitos doces, andas a comer fast-food a mais, não dormes tanto quanto devias, faz exercício!" não é só a minha mãe que me diz isso. pelos vistos, também mo dizia o meu corpo. eu, com um peso na consciência, lá me ia lamentando: ai, que estou em tão baixa forma, tenho de ir para o ginásio, agora é que é. é desta que começo a fazer uma dieta saudável e a beber cinco litros de água por dia. desta é que é!
mas o "desta" representa sempre o dia seguinte, ou a semana seguinte. ou o milénio seguinte.
pois é. então, sabem quando o organismo se vinga cruelmente?
se calhar não sabem, porque quando ficam doentes nem pensam nisso. mas eu sei. e sei-o bem porque, às custas da minha preguicite, tenho de passar uns bons dias a comer tostas e a beber chá. hoje arrisquei-me a um geladinho, e paguei-o bem caro. nem um chocolate dura aqui muito tempo.
ao almoço, entre sandes de pasta de atum ou de queijo fresco, fiquei-me pela segunda hipótese. nada de coca-cola, álcool, chocolate, leite, sumos, fritos, etc. isto deixa a uma simples estudante do secundário pouca variedade na escolha da refeição, sobretudo quando o plano financeiro não está em bom estado.
"passas a vida a encher o bandulho de porcarias" diz-me ele, o meu corpo "agora não entra cá mais nada! só chá! e do mal-saboroso!" agora, quer queira, quer não, vou perder uns quilos extra (fica para o verão).
e pronto, quem sofre sou eu. já o mundo está em crise, o papa senil, a maddie não aparece, o caso freeport é o que se vê... e eu não posso começar as férias descansada.

20.3.09

chocolate?

sessenta dias!

vá, na verdade foram cinquenta... admito que, infelizmente, fiz batota em taizé porque senão morria à fome. mas, fora isso, estou contente com a minha capacidade de auto-domínio. o último dia era hoje. amanhã enfardo chocolate o dia todo.


bom fim-de-semana, minha gente!

18.3.09

abstinência!!

segundo o nosso Papa Bento XVI, afinal parece que o preservativo não serve para nada na luta contra a SIDA.
porquê? isso é ao nosso critério, vossa santidade não explicou os estudos que há-de ter feito.
mas a conclusão com que ficou foi que o preservativo até é um entrave à erradicação da doença.
porquê? o vírus do HIV transmite-se, principalmente, por relações sexuais, julgava eu. o preservativo impede que haja troca de fluidos. não há troca de fluidos - não há contágio. ERRADO. porquê? já estão a querer saber demais. no que diz o Papa é que se devem fiar.
a resposta para o problema do vírus do HIV é a abstinência. os preservativos custam dinheiro e, se realizada, dará bons resultados, não duvido. duvido é que a maioria da população de áfrica, mesmo tendo o vírus pela sua corrente sanguínea, tenha conhecimento de que é seropositiva; e impor ao ser humano que deixe de obter prazer físico através do sexo para sempre, é uma crueldade. os padres que façam como quiserem, mas cada um se decide. não é dizer que não se faz mais e depois andar atrás dos meninos às escondidas, a dar-lhes rebuçados e tudo.
não importa, abstinência para todos!! (mais vale para todos mesmo, já que dividir os que têm SIDA dos que não têm é um processo complicado) e, daqui a 70 anos, já não há gente em áfrica. depois concretizamos o sonho do Papa e invadimos o dito continente.
agora, continuo sem perceber como é que há-de o preservativo ser uma forma de expansão da doença. pode ser que nos revele o Ratzinger, um dia mais tarde.

17.3.09

eu vs. frio

esta agressiva onda de calor que se tem vindo a fazer sentir (e que me tem feito autoproclamar-me sado-masoquista por andar em stress há duas semanas e estar feliz da vida) parece que vai terminar sexta-feira.
obrigada!... pode ser que seja desta que dê em maluca. passo a semana inteira a morrer de calor que nem um porco sufocado e, quando chega o meu tão ansiado fim-de-semana, faz frio!
atreve-te, senhor da meteorologia que escreve para o Metro. atreve-te a não desmentires o que escreveste. se faz frio, eu mato alguém.
oh, vá lá, pronto... também não quero incentivar o aquecimento global, mas estava a saber tão bem... :)

16.3.09

em altas

sabe que pode não ter razão, mas insiste que o que diz é uma verdade universal. irrita-me, acha que tem imensa graça e que a vida gira à volta de brincadeiras idiotas. é um bocado o meu extremo quando não tenho lata para me soltar.
sinto-me feliz e concretizada, cheguei a essa conclusão. tudo me corre bem e, mesmo o que não corre, não parece ser assim tão grande drama. "apoia-te nos amigos" - diziam os antigos - "quando te sentires fraquejar". foi o que fiz.

- posso-te pedir um favorzinho? não precisas de o fazer... mas salvavas-me a vida! - aposto que ela já estava a pensar que eu lhe ia pedir para matar alguém. estaria a prever algo impossível de concretizar, qualquer coisa assim doida.
- vá - respondeu-me, sem hipótese - diz lá...
- vem comigo, faz-me companhia. só demoro vinte minutos!
- não tenho vinte minutos!
- então despacho-me em quinze...
- bom... dez minutos e não se fala mais nisso.
- obrigada! - sorri e suspirei de alívio. só a presença dela tirara-me um peso de cima, e a verdade é que acabou por ficar do meu lado. salvou-me o dia.

a vida não é um buraco negro.
se a minha vida desse um livro de História e eu, não me conhecendo, tivesse de a estudar para um teste, não percebia nada e tinha negativa. mudo tanto, tudo muda. gostava de aprofundar este tema, mas o que é que se há-de fazer? está calor e quero descansar.
estou feliz! acho que é do bom tempo e do excesso de trabalho. tenho matéria de estudo de diversas disciplinas a correr-me pelas veias, tal é a moca.

4.3.09

diário de taizé

22/fev
custa-me mentalizar-me de que já posso deixar fluir as emoções bloqueadas, e parece-me que esse é o primeiro passo.(...) a tampa sabe que se pode soltar, mas não entende muito bem como.

23/fev
hoje senti-me útil. de manhã, lavei as casas-de-banho, agora à noite estive a tratar da loiça para lavar e arrumar.(...) estou na oração e tudo parece certo. todos cantam.(...)vou, gradualmente, abrindo a caixinha cá dentro e medito a meu proveito.(...) esta sensação é estranha. perde-se a noção de tempo e de espaço; de tudo, aliás. as vozes unem-se de uma forma angelical e os cânticos são perfeitos.(...)à noite fico mais introspectiva, não sei porquê.(...) se quero estar sozinha, porque não o faço? ao fim do dia quero fechar-me mais para mim, no meu mundo. há gente que não entende. há gente que entende mal - acha que estou triste, chateada, ou assim.

24/fev
a minha voz está fraca mas consigo cantar duma forma que quase me sinto elevar. (...)oração da noite - parece um bocado de céu. se é isto que sentimos quando morremos, deve ser bom. já não tenho raiva dentro de mim, e acho que o meu choro era de revolta.(...) puxei algumas emoções para fora, a tampa abriu-se mais um bocadinho... fiz o que senti. à tarde passeei-me sozinha por aqui.(...) o céu mostrava-se aos pedaços, as nuvens enormes de todas as cores moviam-se rápido e o vento gelava-me a cara e o pescoço. "onde estarás?" perguntei-me. será que ele está, de facto, nas nuvens?

25/fev
tenho imensa energia para gastar. ou, melhor, para partilhar. sinto-me preenchida e gostava que isto durasse para sempre. apetece-me abraçar toda a gente, como acontece quando se está bêbedo. tem piada.
será que Deus existe?
nunca saberei.
acredito que ele exista?
sim.
conheço-o?
não.
(...) eu estou aqui, agora. não há nada que me perturbe. está tudo bem. sinto a minha barriga a borbulhar pelo amor que sinto dentro de mim, quase como se estivesse apaixonada por alguma coisa.(...) isto é muito especial e eu estou muito emocionada.

26/fev
tudo na vida é passageiro. tenho saudades de lisboa, mas não me importava nada em viver aqui... a comida não é grande coisa, nem o café, mas eu gosto. acorda-se às 7h e é um gelo, mas não me importo. a água do duche tanto sai gelada como a escaldar, mas é giro; estamos em grupo. há muito convívio e trocas de impressões, espírito de camaradagem. hoje à tarde escrevi uma carta, porque senti que o deveria fazer. senti-o e fi-lo. porque não?

27/fev
não me quero ir embora... (...) encontrei-me aqui; acho que era essa a minha missão em taizé. encontrar-me. ajudar alguém. sinto-me concretizada. (...) sinto-me feliz; não só contente, mas também feliz. (...) é assim que eu sou. (...) quando morrer quero ser cremada, detesto a ideia de ficar a apodrecer debaixo da terra. (...) não quero sair daqui... isto é tudo tão bom, tãao benéfico... (...) chorei muito. muito. amanhã começa a mudar tudo - são os preparativos para o regresso. não quero...

28/fev
estou cheia de emoções irritantes e preciso dum banho. esta é a tão falada oração das velas. estou super-hiper emocionada, quero taizé para sempre...vou voltar à rotina de lisboa. acho que vou olhar para a minha casa como um lugar estranho. o meu coração bate bué rápido (...) os sinos tocam e as últimas pessoas entram na igreja. não sei o que me espera agora. apetece-me escrever. não aguento isto.

1/mar [no autocarro]
estou triste. parámos agora no mcdonalds e consumimos os hamburguers que nem uns bichos famintos. já não comia carne há mais de uma semana...(...) esta viagem mudou muito em mim.

2/mar [no autocarro]
já se deu a despedida entre Guimarães, Porto e Lisboa.(...)passou tão rápido, caraças. amei taizé.


20.2.09

não sei

não sei - acho que é isto.
Contagem decrescente para Taizé, e é disso que se trata o meu post. não posso dizer em que é que consiste o que se segue, dado que não sei. e aí está: não sei.

nunca fui a Taizé, nem nunca estive numa comunidade ecuménica. não sei o que vai acontecer por lá, não sei quais são os meus objectivos nem sei quais as minhas expectativas. não sei o que é que vai mudar em mim. mas sei que algo se transformará - ou ME transformará. no entretanto, fica a incógnita.
acho que em Taizé poderá acontecer o que eu há muito desejo - isolamento interior, limpeza de corpo e alma, aperfeiçoamento do conhecimento pessoal e interpessoal. e, à parte disto, gostava de encontrar algumas respostas. a quê e como, não sei também.
no fundo, o que espero de Taizé é poder contrariar estes "não seis" com algo mais concreto.

vou aproveitar o distanciamento da metrópole para estar só e apenas comigo e com outros e encontrar (nem que seja por dez dias apenas) o meu verdadeiro eu.



para os restantes, boas férias de carnaval!

17.2.09

a trupe de quem?

a minha trupe. a minha gente.
obrigo-me sempre a acreditar que o fim de uma coisa significa sempre o início de outra.
a palavra fim não tem que ser necessariamente associada a algo negativo.
as experiências e as pessoas enriquecem-nos, mas gostava de fazer um especial destaque para o factor "pessoas". quem sabe, sabe, hoje apetece-me estar com meias palavras.
eles são os meus meninos, eu adoro-os daqui à lua.

14.2.09

s'embora, encalhados

hoje é dia dos namorados. o que é que isto quer dizer? que a maior parte dos casais deste país estará, neste momento, a copular. não há-de ser um fenómeno que aconteça todos os dias.

para mim, tudo na mesma; hoje foi um dia como os outros. e não me queixo.

passaram reportagens e programas sobre o dia de hoje na televisão, mas eu não vi nenhum. e tenho pena. podia ser que eu tivesse aparecido.

porque é que haveria eu de aparecer?
porque numa bela tarde de sexta, estava eu com o doggie a laurear a pevide pela baixa, quando uns senhores repórteres (que nós já estávamos a topar há uns quinze minutos) abordaram-nos, a apontar-nos com a câmera como se não tivéssemos fuga possível, e perguntaram-nos se acreditávamos no amor para sempre.

doggie: não.
eu: sim.
senhor repórter: então e porquê?
eu: porque, se duas pessoas sentem amor uma pela outra, podem fazer um esforço para que dure para toda a vida.
doggie: pois.... isso faz sentido, realmente...
eu interrompo: então?! mas tinhas dito que não acreditavas!
doggie: ah, é verdade... eh pá, já estragámos tudo!
senhor repórter: mais uma pergunta - o que representa para vocês o dia dos namorados?
doggie: bom, eu acho que é só mais um pretexto para se gastar dinheiro em presentes que se podiam dar todos os dias...
eu interrompo, uma vez mais: É SÓ MAIS UM PRETEXTO PARA AS PESSOAS SOLTEIRAS SE SENTIREM SOZINHAS.... ainda mais sozinhas!

e pronto. é mais ou menos isto que eu tenho a dizer sobre o dia 14 de fevereiro. não podia deixar passar. se não aparecemos na televisão, então aparecemos no meu blog!
toma, RTP2, agora já expus ao mundo.

de resto... desejo um resto de dia de S.Valentim feliz para todos (falta meia hora para acabar, aproveitem). -> make love not war <-

12.2.09

histórias de Portugal

o autocarro hoje andava aos trambolhões e, exactamente por isso, os meus pensamentos também.
tanta gente de idade, tantas memórias que para ali circulavam no ar, dado o silêncio que se fazia sentir. maior parte dessa gente haveria de se sentir sozinha, e por isso é que os mais velhos às vezes falam para o ar: no meio da rua, no autocarro... sentem-se sozinhos. morreram-lhes as famílias e contam os dias até deixarem este mundo. é realmente triste.

o povo português anda descontente. a culpa não sei de quem é, vejo isso desde que me lembro. a cara da urbe é pesada, triste, preocupada.
daqui a quinze anos, metade dos transeuntes que vejo estarão debaixo de terra, porque Portugal está envelhecido e ninguém vive para sempre. sei que não é bonito pôr-se as coisas desta maneira, mas é verdade e todos sabemos.

e para onde é que vão as memórias, quando não são passadas de boca em boca?
que será feito das histórias que os velhotes contam com orgulho, do Portugal de outrora? muitas delas ficarão perdidas por causa da intrusa solidão.


quando dei por ela, tinha uma arma no meu bolso - mais concretamente, uma pistola. ocorreu-me um "eh, lá!" e, depois de minutos em estado de choque, pensei:
andar com pistolas é mau agoiro, pelo menos para mim, que quero ir para casa descansada e ainda aparece o pica e vê-me isto. olha, afinal de contas, pouco me importa. as pistolas não são baratas para se andar a -las nos bolsos dos outros. portanto, das duas, uma:
1.ou foi alguém que se enganou.
2.ou foi Deus que me quis pregar uma partida e eu tenho de reagir.

escolhi a hipótese mais engraçada.

PuM pUm PUm PUM!

a primeira reacção dos meus companheiros de viagem foi atirarem-se ao chão. eu não acertei em ninguém, nem era essa a minha intenção. os tiros foram para o ar.
- quero toda a gente a contar-me as suas memórias JÁ! - gritei, imponente. as vítimas continuavam imóveis. - vá, não quero que me interpretem mal. ninguém se vai magoar que eu ainda tenho de estudar Português. por isso, se fizerem o favor, não demorem uma eternidade. - sendo que ninguém tomava a iniciativa, especifiquei - pode começar por aquele senhor ali de bóina.

9.2.09

nove

disseram-me:

"a humanidade.
o número raiz do presente estado de evolução humana.
o número de Adão.
o número da iniciação: assinala o fim de uma fase de desenvolvimento espiritual e o início de outra fase superior.
as 9 esferas celestes e os 9 espíritos elevados que as governam.
o ilimitado.
os 9 orifícios do corpo humano.
os 9 meses da gravidez.
o número dos ciclos humanos temporais na Terra."

o dia do meu aniversário.
idade com que eu mudei de escola pela primeira vez.
último algarismo do presente ano.
dia de hoje.
os 9 anos que tem o meu diário.
hoje, a minha semi-solidão completa nove meses.



olhei para o papel.
- é esquisito, não é?
- que carimbo é este?
- é para mostrar que é oficial, autenticado.
ela ficou a olhar para o papel. não havia muito que se lhe dissesse, mas eu achava que sim. "é pouco, como isto, que me resta" pensei. "e isto nem são memórias. há-de ser uma tentativa de banalizar uma ausência." tão irritante, tão destrutivo, ler aquilo!, que me apetecia rosnar.
nem sabia muito bem como lhe explicar porque é que sentia isto. a velha frase "tu nunca passaste por isto, não sabes como é" pareceu-me escusada. ela percebeu a minha expressão de rancor.
- não fiques assim - disse-me - é só um papel...

passei o resto da tarde com esta na cabeça. isto também é só um texto. um coágulo de letras.

É SÓ UM PAPEL É SÓ UM PAPEL É SÓ UM PAPEL É SÓ UM PAPEL É SÓ UM PAPEL É SÓ UM PAPEL

1.2.09

tiro certeiro

que mundo é esse, do outro lado do espelho?

o que é que aí se passa, que tanto me faz gostar de mim, como odiar-me de morte?

é tudo ao contrário, aí? isso existe para fazer uma espécie de simetria com o que vejo aqui?

o que é que acontece quando eu não olho para lá?

será que o reflexo é aquela outra perspectiva que só é real quando eu quero?
que só existe (ou só vejo existir) quando o encaro de frente?

e porque é que não me recuso a olhar? se eu não olhar, é como se não existisse - ponto.

"tu vês o mesmo que eu?"

muito provavelmente, não. e, apesar de tudo, essa não é a resposta para todos os problemas.

eu quis provar que víamos de maneiras diferentes, mas só o pude fazer ficando escondida. olhando através da objectiva. [click] ora, aqui está: é isto que vejo. mas tu não me vês. "porque eu não deixei"